quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Melancolia.

Que mau é esse que me encontra tão rasteiramente, que me afeta e machuca os punhos, que dilacera minha garganta?
De onde vem tão estranho sentimento, tão alheio, tão indubitável.
Qual o poder das visões, visões essas que me enchem o peito de uma angústia devoradora, que me embarga a voz, que me atrapalha as palavras. Esse desejo de vida tão distante, essa saudades do que nunca vivi. Essa saudade de meus desejos, de meu futuro.
Como quando toca uma música, e os músculos do pescoço se petrificam, assim como a respiração se intensifica, as narinas ardem, o peito infla e os olhos avermelham.
Melancolia.
Qual a origem desse mau, qual o pequeno virus, que se ver, torna minha vida em algo tão melodramático.

Será simplesmente a poesia do Drama?

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Henrique sobre Dom Casmurro.

Henrique correu o mais que pode, correu para chegar ao ônibus antes que esse partisse. A chuva caia forte, e seus cabelos grudados na testa brilhavam ainda mais pretos. Sentou-se no fundo do ônibus, e lá ficou. Puxou um exemplar de o Dom Casmurro e começou a ler, em seu mp3 a nona de Beethoven soava fortemente, Ode à Alegria.
Permaneceu assim minutos. Via agora Bentinho, não mais um jovem adorável, mas um velho vingativo, o qual jogara sua vida fora por uma suspeita tola. Via a chegada de Ezequiel da Suíça, vestido de luto.
Henrique pensava fortemente sobre Bentinho. Qual era o propósito disso tudo? Descobriu que não queria saber. Encontrava-se tremendamente irritado com toda aquela ladainha sobre relações e sobre sentimentos. Machado de Assis às picas.
Com o dedo ainda a marcar a página que lia, fechou o livro e segurou-o pela janela, jogando-o assim, após um segundo de hesitação. Capitú às picas.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Eu pareço um cachorro.

Eu pareço um cachorro. Essa pele clara, esse olhar parado e preto, essa sobrancelha grossa, esses dentes mal formados. Eu pareço um cachorro.
Esses cabelos pretos e bagunçados, esses pelos da barba por fazer, esse balançar alegre e inquieto de calda.
Pareço com um cão, sempre a fugir quando repudiado, quando desprezado, mas ao menos sinal de carinho, volto a balançar alegremente o meu corpo mal assentado.
Meus latir tão intenso e agudo, meu ganir tão raivosos e escroto. Eu pareço um cachorro.
Eu pareço um desses vira-latas bonitos e agradáveis que vê-se em filmes, eu pareço um Vagabundo, um cão de rua, sem casa, sem festa, sem osso.
Essa minha cara lavada, esses olhos de besouro brilhante, esses caninos pontudos. Esse cabelo preto.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

volver.

Por que será que quando estou triste sempre volto para cá?
Por que poucos lerão. Deve ser.
isso é tudo o que tenho à dizer: podridão.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Ode ao Indie

Levantou-se tarde, sentindo o cérebro no chão.
Passadas curtas, o estomago destrinchado
Olheiras fundas, um gosto de podridão
Setia desbotar seus anseios por todos os seus lados.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

CASA

Minha casa não tem porta, minha casa não tem telhado, minha casa não tem janelas.

Ultimamente minha casa não tem sido um atrativo para mim. Não tem sido meu porto, aonde eu atraco prazerosamente...onde e sorrio, como e durmo.
Sinto, mas quando chego em casa, um lugar apenas tem a porta aberta para mim, meu quarto. Quando minha mãe está sentada na sala com seu namorado, minha vontade de ficar la some, o único lugar para que o Pedro quer ir é o quarto. Quando estão dormindo, a casa é minha, mas ainda assim não me oferesse nada de atrativo, pois.
E meu quarto? Por que se mostra sempre tão convidativo para mim? Besteira.
Em verdade, só me é convidativo porque é onde me tranco e ninguém mais entrar, deveria ser. Ainda assim, melhor que permanecer em um corredor ou em um banheiro. No entanto continua sendo lixo, quero dizer, atrativos zero. Tudo o que me pertence no momento se mostra desprezivel, isso refiro as minhas idéias em geral, meus feitos.
Azar. Sou extremamente azarado, quero dizer, tive uma idéia perfeita, executei-a da melhor maneira que pude, não deu certo por três vezes. Se alguma outra pessoa tivesse tido a idéia, ou mesmo executado-a, sairia perfeito com certeza.
Esse é meu manifesto contra essa força que move a vida do Pedro! Sim!
Cansei de ficar a deriva, cansei de tudo ferrar para mim!
E fodam-se vocês que desprezam a autopiedade, aturei isso demais pra ficar preocupado com autopiedade isso, autopiedade aquilo, se me julgam de qualquer forma, vão a merda...e vão merda vocês também que se compadecem. Pensam que sou um coitadinho bonitinho.....de forma alguma, sou mau, sou feio, sou quase um ogro, se permanecer demais ao meu lado, te devoro e palito os dentes com suas costelas. Seus dentes viram brincos!
Sempre me disseram que se eu fizesse por merecer as coisas ajeitariam...e aí?!
parei de fazer tudo o que consideravam mau...parei de fumar, parei de usar drogas, parei de qualquer coisa que seja...e aí! AS COISAS CONTINUAM FUDENDO!
VEJA SÓ O PORQUE: SOU UM FUDIDO, MEU AMOR!
BOA NOITE.

**DESCULPAS AOS LEITORES, NESSE POST EU ME EXCITEI MUITO.

My home has no door
My home has no roof
My home has no windows
It ain't water proof
My home has no handles
My home has no keys
If you're here to rob me
There's nothing to steal
A la maison
Dans ma maison
C’est là que j’ai peur
Home is not a harbour
Home home home
Is where it hurts
My home has no heart
My home has no veins
If you try to break in
It bleeds with no stains
My brain has no corridors
My walls have no skin
You can lose your life here

sábado, 10 de julho de 2010

Miranda

Deitou o corpo sobre uma colcha vermelha, o corpo esguio e branco. Sua coxa, levemente levantada como a cobrir o sexo nú. Tampou os olhos e disse:
__Você sabe que depois eu te matarei, não sabe?
__Sim.
__Então...Por quê insiste em se deitar comigo?
__Porque eu amo você. Porque eu sei que sou o único que te amou e que teve coragem para demonstrar. Justamente porque eu te amo eu quero que você sinta como é ser amada, mesmo que isso me custe a vida.
__Por que?- Disse com lágrimas nos olhos.
Seus cabelos loiros caidos sobre o rosto, cubrindo a vermelhidão de seus olhos, o rosado de sua boxexa, cobrindo as palavras que lutava para engolir.
__Porque eu quero. Eu simplesmente quero. Por que você se importa, eu estou pagando.
__Porque...-Quase dissera, mas um soluço repentido cortou suas palavrase a paralisou.- Porque...Nada...
Puxou seu amante e beijou-o nos lábios, abraçou-o, mordeu-o.
Deitaram-se então, durante algumas horas permaneceram juntos. Sabia que eram os ultimos momentos de vida de seu amante, e que como obrigação devia proporcionar-lhe o maior gozo que jamais tivera, portanto permaneceu com ele durante toda a noite.
De todos os sacríficios que fez para dar-lhe o prazer, o único que não pode fazer foi deixar de lamentar. Durante todas as horas, permaneceu a chorar, silenciosamente, com fios de lágrimas descendo peloas suas boxexas, agora brancas, agora tristes.
Dormiu em seus braços, beijando-o, acariciando-o mesmo em sonhos. Miranda sabia que cometia um erro, que não podia lamentar, que devia apenas gozar e cumprir seu dever...Miranda sabia, mas não podia resistir e cada vez mais encontrava formas de amar mais aquele homem.
Pois assim permaneceu a noite, lamentando, até o sono cair e fechar-lhe os olhos. Em sua cabeça permanecia junto ao seu amante, mas agora eram felizes. Se beijavam e se abraçavam sem nenhuma sombra por tráz, sorriam e se amavam...Um casal correndo pelos corredores de um casa, as mãos dadas, a mulher alta, com longos cabelos negros, pele queimada e olhos escuros. O rapaz esguio e loiro, de olhos verdes e pele branca, com boxexas rosadas pelo esforço de correr...Atravessavam portas e salas, sempre juntos...Mas então a mulher, morena e bonita, empurava seu companheiro de um precipício, empurrava-o simplesmente, e então voltava a ser loira, branca e triste.
Quando Miranda acordou, vestiu-se rapidamente, foi para o banheiro, lavou o rosto e respirou fundo. Puxou uma gaveta, de onde tirou uma grande faca, cinzenta, bonita, manchada...Voltou para a cama com a faca em suas mãos. Beijou o homem com quem dormira, beijou-o e ele acordou.
__Tente me impedir, me mate.-Pediu Miranda.
__Nunca.
__Me mate.Por favor.
__Não.
Então o homem tomou-a mais uma vez em seus braços, beijando-a de forma tão amorosa que fez com que Miranda rompesse em lágrimas. Separou-se de seu amante, recompôs-se, e ficou a tomar coragem.
__Acho que ja é hora.- Disse o homem complacente.
__Só mais alguns minutos, por favor.- Pediu Miranda.
__Sim.
Miranda então se despiu novamente, e deitou ao lado do homem, enterrou seu rosto no peito musculoso, abraçando-o. Permaneceu assim por alguns minutos, levantando-se então e beijando-o.
__Adeus, meu amor.- Disse o homem.
__Eu te amo.- Concluiu Miranda enterrando a lâmina no peito do homem a quem amava.
Beijou-o e permaneceu segurando sua mão até que morresse, ao seu lado. Quando o corpo já inerte e frio, Miranda levantou-se, vestiu-se e saiu.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Perfectment Juliân

Não é o mesmo Juliân dos outros posts, é só um nome coringa, que serve pra todos.



Meninos, enquanto jovem, tem ainda uma vaga déia do mundo...Este não tinha.
Aos quinze anos, estantes inteiras devoradas, página por página, letrinha por letra...
Aos quinze anos, fotografias e retratos tirados, discos e discos virados, mundos e mundos corridos.
Seus pais não ligavam muito para ele, nem ele para seus pais. Era uma relação direta e simples. Pai e mãe, em consenso, permitiam que seu filho viajasse durante férias e alguns períodos das aulas.
Não era lá muito inteligênte, academicamente falando, mas sabia das coisas.
Não sabia resolver uma simples equação de segundo grau, muito menos relacionar um ácido à sua base, quiçá o que era uma monocotiledônia. No entando, de olhos fechados e quase que sem pensar respondia perfeitamente à perguntas de história...
Revolução industrial, revolução francesa, russa, inglesa...Independencia das américas, primeira e segunda guerra...
Filosofia, no entanto, era seu campo preferido. Não era lá muito conhecedor de Platão, Aristóteles, Nietzsche, muito menos Lacân, mas sabia pensar.
Nunca lera um livro de Rousseau, e ainda assim sabia diferenciar um homem em seu estado natural de uma sociedade corrompida, como nem o próprio poderia.
Nunca se aprofundara em nada, mas sabia do que falava.
Passara uma ultima temporada de seis meses na Áustria, de onde saíra falando alemão fluentemente, de onde saíra sabendo tudo sobre Mozart, Maria Tereza e Elizabeth, a imperatriz.
Conhecera uma garota durante esse tempo. Ela se apaixonou por ele, ele não por ela. Juliân e Louise começaram a namorar, quatro meses juntos, nenhum sentimento sentia por Louise, a não ser amizade.
Juliân não podia entender o que havia de errado...Ele era extremamente aberto a sentimentos, sua maior ambição era um amor digno de Dumas...No entanto, nada sentia.
Era extremamente sincero com Louise, dizia sempre:
Je t'aime, mais comme une amie. Je peut pas t'aimer plus. Pardon.
Louise caía em choro, mas entendia. Sabia o que acontecia, sabia que ele a respeitava e queria estar com ela, só não entendia porque não podia ser amada.
Juliân, mais que ninguém, sofria com isso...Queria amar, perder a cabeça e se matar pelo menor olha de desprezo de sua amada, mas o que podia fazer, não amava ninguém.
Passou os quatro meses namorando Louise, amando-a coma amara seus amigos brasileiros, franceses, ingleses e espanhóis. Há muito já se conformara, mas o que podia fazer?
Quando Louise levou-o para o seu quarto, Juliân sabia o que ela queria, e disse:
Je ne veut pas. N'est pas pour moi, le contact sexuel...Pardon, mais...je sais pas, je...mérde!
Juliân só falava em francês com Louise, não por não saber alemão, como já disse ele estava fluente. Falava por preferencia de ambos.
Louise inquieta respondeu: Mèrde, faisse pour moi quelq'une chose. Je fais tout pour toi...Solement ça mèrde. Non, vais a ta maison. Pardon.
E era sempre assim, Juliân não estando disposto à dar a Louise seu amor e Louise irritada sempre sedia, não podia perdê-lo.
Juliân ao término da temporada voltou ao Brasil, continuou a devorar livros e páginas e letras e pontos.
Barry Lyndon, Manon Lescaut, Chevalier de la Maison Rouge, Trois Mosquetiers, Madame Bovarry, Dom Quixote...
Degustava notas e sons, e discos e cds.
Jane Birkin, Bowie, Barbra Streissand, Pink Floyd, New Order, Charlotte Gainsbourg, Camille, Cat Stevens, Animal Colect...
E assim passava seus períodos, seus dias e suas noites.
Durante três meses continuou a trocar cartas com Louise, quando foi passar algumas semanas no sul, antes de ir para a Polônia.
Lá, conheceu alguém, uma menininha de nove anos. Encantadora, Mírian...Foi o máximo que Juliân havia sentido por alguém. Tão Platônico, tão rousseauniano...Adorava gastar as tardes lendo livretos para ela, tocando violão para ela, dançando com ela, brincando com ela, correndo com ela, divertindo ela, rindo com ela...
Teve que partir, não sem o bolso cheio de fotografias...Foi o máximo que sentiu por alguém...Era amor, como o descrito em La Nouvelle Heloise.
Em Cracóvia, costumava a se comunicar em alemão, e no fim de seis meses, o polonês já era para ele como o espanhol. Gostava de passar as tardes na praça, ouvindo o guarda tocar seu trompete do alto da torre da igreja logo após a cada badalar do sino. Conheceu Mitriev, com quem passava dias e noites em companhia, seja bebendo um trago, fumando outro, lendo algo, ou mesmo assistindo.
Tornaram-se extremamente apegados, como nenhum outro amigo. Mitriev era apaixonado por Nadja, que por sua vez o correspondia. Ainda não haviam começado a namorar, mas sabiam o que aconteceria.Juliân assistia a tudo isso de perto, sabia o que acontecia dos dois lados, o que sentiam os dois apaixonados, e invejava. Longas foram as noites em que passara chorando, invejando Mitriev, sentindo-se só e ansiando por alguém.
Sua partida da Polônia foi brusca, resolvou ir de volta para a França, que afinal era logo alí. Matriculou-se em um linceu qualquer, estando sempre à Rive Droit, na case de Sèrge e Blondine.
Voltou a frequentar Montmartre, voltou a passear pelo Louvre, Versailles e Borgogne.
Quase perfeito, este era Juliân. O único defeito era não amar...Defeito? De forma alguma, apenas isso o possibilitava de partir e não sofrer. Nascerá para nunca restér lá. Jamais.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Pedro Paiva

parece que alguma coisa está acontecendo, algo bom...mas nao quero falar!
SORTE!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

VAMO LA

nao sei oque esta acontecendo, nao quero escrever, nao posso simplesmente sair falando, mas na ogosto muito nao.
saudades dos velhos tempos, era tao melhor antes.
acho que era mais pratico, tipo, menos preocupaçoes, agora vem emprego, escola, vida e tudo...
vaamos la!

quinta-feira, 25 de março de 2010

não muito bem.

"Não sei".
Foi a simples frase que Juliân formulou enquanto pensava sobre o que seria daquele momento em diante.
Considerou todo o seu mundo, suas vontades, sua realidade, seus motivos, e então chegou à simples conclusão.
Juliân, há tempos, sentia-se triste, em verdade não triste, apenas inerte.
Como um basta às suas conclusões e pensamentos, levantou-se de sua cama e rumou para a cozinha, onde tomou alguns compridos. Comprimidos os quais o distraíam, e sem os quais raramente passava. Tomou alguns goles de água, e saiu para a rua.
Andou por algum tempo, e decidiu por parar em uma esquina qualquer, onde voltou a pensar.
Todas as mudanças pelas quais passara, todas as resoluções.
Todos ao seu redor estranharam. Sua mãe passara dias chorando, pois não compreendia porque seu pequeno filho não falava mais. Seus amigos estranharam o fato Juliân estar cada vez mais magro e abatido. Ninguém mais se encontrava confortável. Todos estavam preocupados, e apenas Juliân se mantinha impassível.
Juliân se resolvera por calar, porque assim não precisaria mais pensar. Essa exclusão era, para ele, como uma forma de se manter inatingível, e embora todos estivessem descontentes com essa resolução, Juliân se mantinha resolvido por continuar calado.
Durante o tempo em que permaneceu sentado na esquina, já escura, Juliân resolveu finalmente pensar, e até começou a falar. Sentia-se cada vez pior, não podia mais controlar, começara a remoer as causas, agora teria de enfrentar a dor e terminar de contá-las.
E era assim, sempre assim, a dor imensa que Juliân sentia fazia com que cada vez mais se calasse... Era seu refúgio, pois enquanto não falava, não precisava pensar... Não precisava conceituar. Era mais fácil. Juliân preferia encontrar-se inerte e silencioso, morto, a encontrar-se triste, vulnerável.

--Quando voltar, eu digo o que aconteceu com Juliân. Por certo tempo, ausento-me.
Como disse, estou escrevendo cada vez pior, motivo suficiente para esquecer blog.
Tchau.=-)

quarta-feira, 24 de março de 2010

Pedro chegando.

Parece que reencontro um Pedro antigo...Ele se parece muito comigo, mas não é como deveria.
Ele é triste.

Ando meio assim, embora para algumas pessoas não paressa...Ando realmente triste.
Minha situação anda meio estranha, porque coisas que tinha resolvido voltaram de forma diferente, e agora me fode tudo.
Preciso de um tempo, só meu...Preciso de inconsciencia.
Não aguento mais, em verdade, estar ciente do que acontece...Preciso, por alguns instantes, perder os sentidos, a cabeça.
Acho que é mais fácil encarar assim, se abstrair.

Ando desistindo de tudo. Desisti do teatro, desisti de aprender violino, parei de desenhar, parei de escrever (meus textos estão cada vez piores, entao desisto). Desisti de tudo, acho que no momento é melhor viver assim ao Deus dará.

Pedro se fecha em uma bolha.

Isso me cança, na verdade estou no bico do corvo, again!
Relacionamentos, machucam. Então por que corro atraz?
Por que sou idiota!
Eu tinha aprendido a não e vincular a pessoas, e de repende encontramos Pedro assim.
Idiota.

Tento ser chato, cada vez mais.
Tento ser quieto, cada vez mais.
Tento ignorar, cada vez mais.
Tento calar, cada vez mais.
Mas depois de construir uma base boa o suficiente para me fechar, eu vou lá e destruo ela.
Decide, menino!

Idiota.

Na verdae, agora é oficial.
PAREI DE:
1comer
2falar
3chorar

méta para 2010.
Iris se irritaria, porcamente.

Pois é, temos agora um novo Pedro. Garoto mecânico....mecânico não, inerte.

Passo então por um período de transição. E uma de minhas ultimas frases é:
Adeus..Se tudo der certo, não sentirei falta de ninguém. Boa noite.

Como eu posso ser tão imaturo?
Eu sou egoísta.
finjo ser...

segunda-feira, 22 de março de 2010

Mischa.

Mischa sentou-se por um momento, coçou a cabeça, acomodou-se melhor no sofá, escondeu a cabeça entre os braços e começou a chorar.
Chorou alí sentado durante alguns minutos, permaneceu inerte durante outros...E então levantou-se.
Escovou os dentes, lavou o rosto e voltou a sentar-se no sofá.
Permaneceu novamente inerte por um quarto de hora. Inerte.
Em verdade permaneceu inerte por dois meses completos, quando se levantava, ia direto para seu quarto. De seu quarto saia apenas de manhã para ir à escola. Da escola ia, inertemente, para sua casa.
E assim permaneceu. Durante dois meses quase não falou palavra.
Quase ninguém notou. Sua mãe estava satisfeita, pois sempre o encontrava ocupado. Quando chegava em casa encontrava-o no quarto fazendo seus deveres escolares, quando ia dizer-lhe boa noite, este estava desenhando ou apenas lendo.
Seus professores encararam aquela mudança como disciplina, pois finalmente o aluno calara-se e passara a prestar a atenção na matéria.
Seus amigos, apenas, estranharam.
Roberto, uma noite perguntou-lhe se estava bem, Mischa apenas ignorou-o.
Marília uma vez se ofereceu para ouvi-lo, Mischa apenas disse que tinha fome.
Gabriel perguntou porque estava tão sumido, Mischa ignorou-o também.
Uma noite, sózinho em casa, resolveu-se..."Não comerei".
Mischa parou de comer.
Permaneceu sem mastigar por tres dias, e quando comeu, rejeitou metade.
Mischa estava, em verdade, profundamente deprimido, não se sentia mau, apenas deprimido.
Mischa não chorara dês de aquela vez em seu sofá.
Mischa se sentia bem, sentia que queria continuar daquele jeito.
Todas as suas ambições haviam sumido.
Aprender violino? Não mais.
Desenhar? Apenas rabiscar.
Tocar gaita, violão? Para que?!
Ler Ginsbourg e Kerouack? Não sentia mais vontade.
Fazer faculdade? Morreria antes.

Mischa encontrava-se agora envolvido por uma camada de autodespreso tão grande que já não sentia mais nada por sí mesmo.

Em seus pensamentos, não mais se enganava, Mischa era sincero. Se sentia mau, ridicularizava-se. Se sentia bem, torturava-se.
Nesse período Mischa passou a recorrer a autoflagelação. Sentia a dor física de forma tão intensa, que esquecia angustias recentes e antigas. Começou com apertar objetos metálicos sobre sua pele, apenas para que a pressão o distraísse. E em duas semanas passou a cortar-se.
Mischa encontrava na multilação uma certa distração que livros e musica não podiam lhe proporcionar. Estava bem daquele jeito.

Roberto, uma vez que preocupado com as profundas olheras, e os olhos vermelhos de Mischa o chamou para sair.
Dirigiram por alguns quilometros, ouviram musica auta. Mischa sorria, lapsos faciais mecanicos. Mas não dizia palavra alguma.
Roberto cada vez mais preocupado tentava distraí-lo, Mischa por sua vez se distraía sózinho, embora participando das brincadeiras do amigo, permanecia trancado em sua mente.

Por um mês inteiro, Roberto se preocupou em tira-lo daquela bolha, Mischa não queria sair. Roberto passou a sofrer junto com ele, mas sempre tentando anima-lo.
Roberto se preocupou a fundo com Mischa, por um mês inteiro deixou de viver, para tentar fazer com que Mischa vivesse.
Mischa havia morrido, ainda que momentaneamente, Mischa não estava mais lá. Os dois sabiam que uma hora Mischa voltaria.

Mischa, uma noite, voltou. Ainda que não discesse palavra, Mischa estava lá. Decidiu-se.
Acendeu um cigarro, da caixa que permanecera dois meses intocada. Do armário da cozinha, tirou algumas capsulas. Em seu quarto, ligou um disco e começou a engolir as drágeas.

Quando terminou de engolir sua porção de morte, podia apenas ouvir um coro distorcido que cantava.

"All is loneliness before me
All is loneliness before me


Loneliness comes botherin' round my house
Loneliness comes botherin'
Loneliness comes botherin'
Loneliness comes botherin' round my house
Loneliness

Loneliness comes worryin' round my door
Loneliness comes worryin'
Loneliness comes worryin'
Loneliness comes worryin' round my door
It was loneliness."

Louis Hardin


Roberto nunca existira, Mischa esteve sempre la, mas Roberto não. Era apenas uma sombra que Mischa desejava...Ele não estava lá.

domingo, 21 de março de 2010

Hoje, seria um ótimo dia para morrer.
Não sei, me sinto bem..sim.
Me sinto realmente bem.
Na verdade não sei...Apesar de me sentir bem, ainda existe algo que me cutuca.
Não sei se o que sinto é amor...Não amor homem/mulher, simplesmente amor. Gosto dos meus amigos...
Julia, ela é incrívelment legal, ela é divertida, ela não se importa sobre uma pá de coisas...Eu realmente amo ela.
Mariana, ela é simplesmente...ela. Eu não consigo definir. Seu jeito divertido, seu jeito sincero, como posso dizer...corajoso. Ela me quebra as pernas. Eu amo ela.
Isabela, ela é adorável.Ela é a fofura em pessoa. Eu amo ela.
Clarissa, as vezes acho que se parece comigo. Estupendamente inteligente, inteligente. Engraçada...porcamente engraçada...Amo ela.(POR INCRÍVEL QUE PAREÇA)
Mauro...que dizer, é um amigo homem! São poucos, e eles realmente merecem meu apreço. Ele é porcamente cool, de um jeito mauro, sabe? O filho da puta se nega a ir para a França, isso me faz contar pontos a favor dele, estranho...Amo ele.
íris, seu jeito prepotente, as vezes, me faz pensar:Ela sempre consegue o que quer. Ela é inteligente, engraçada e demais. Amo ela.
Ellen, ela é como um gato. Só. Ela é íncrivel, consegue me arrancar tudo, e consegue me fazer expressar.
Vitor, ele me intimida, mas aprendi a reagir. Ele é cult, e isso me agrada. Ele é legal de uma forma legal, entende? Amo ele.
Priscila, ela simplesmente meio que me tem, de uma forma legal. Eu amo ela.
Lígia, não sei o que dizer, ela é utopica! Amo ela.

E por aí vem uma pá de amigos, como Isadora, Majú, Majú ruiva, enfim...
Não sei se sou capaz de sentir amor, por enquanto...Não sei se realmente amo eles todos. O que sei é que gosto deles, e muito.
Eles me fazem falar, me fazer me divertir. Me sinto bem perto deles, sim...

Hoje me senti muito bem...Foi algo como que...como que gostoso. Os fins de noite na casa da Julia, ou em casa ou na da Mauro. As voltas de carro pelas contra-mãos da vida. A música boa em um rádio extremamente alto. As mãos dadas, os um anéis. As batatas que a Mariana gosta.
Sei lá eu o que isso quer dizer.
Mas sempre tem algo que me faz sentir mau...Digo, será que sou da turma mesmo? Não sei...as vezes só estou lá como um amigo momentaneo, e que no fim vai acabar de afastando por algum motivo.
Não sei.
Não sei!
Não sei?
Talvez saiba...Talvez ISSO eu saiba.


Na verdade, me sinto bem, isso é, me sinto relativamente bem.
Experimento algo novo que é esse gostar diferente...
Esses programas leves e fofinhos me satisfazem, não pro completo, mas me alegram.
Por essas pessoas, bem, por uma em especial, estou parando de fazer algumas coisas. Coisas que todo mundo quer que eu pare!
Mas é o seguinte, sou egoísta ainda, não é integralmente por elas que faço, é simplesmente porque me convém parar por elas. Entende?

Nãosei.
Deveria saber!

Talvez algum amigO meu se irrite por não saber me expressar verdadeiramente, poisé, é mais fácil com amigAs.
Talvez seja só porquisse minha, mas ainda assim, valendo.
Deveria me concentrar em estar lá, em me presenciar, mas é algo novo e difícil. Talvez não tão difícil, talvez eu só esteja acomodado. Talvez.

Devo tomar coranjem, junto com algumas outras coisas e ser mais free da vida, menos hiiin~~~~! Menos chocado.
Quero dizer, I LOVE THEM ALL(cat stevens rulez), então foda-se o eu e esteja no deles.

Nãosei.
DEVERIA SABER!
queria saber.

é difícil tentar entender tudo isso, mas eu entendo porque pra mim vem isntantaneo, ta la.
Eu queria uma fermata, que pudesse fazer o tempo agir da forma que eu quero...Fermatas, pura ilusão.
Mas a verdade é...isso vai acabar. logo. Me corta o coração, mas deicha ver...ja aconteceram duas vezes, e uma terceira vai acontecer!
Me corta o coração, porque a dependencia que cria-se por isso tem que ser quebrada, e essa dependencia é facil de ser quebrada, mas dói horrendamente.

And if I ever lose my mind.
I don't wanna wake no more.

TOUT PEUT S'OUBLIER!
je n'oublierai pas. je peut pas.

ME SINTO BEEEEEEEEEEEEEEEEEM!

segunda-feira, 1 de março de 2010

A Defunta.

Qual o sentimento que experimento ao dedilhar tais teclas?
Este, que sinto pulsar fortemente, que me faz ter ânsias...este me acompanha de longa data.
Ansioso como estou por contar-vos este ocorrido, ocorrido há algum tempo, ansioso com estou... Sinto como se meu peito fosse romper, apenas por um maior bombear de sangue para meu corpo. Apenas por uma batida mais forte, sinto arrebentando-me os músculos, as artérias... Sinto explodir as costelas.
Em verdade, nada é de extraordinário a história que vos transcrevo, em verdade é singela... Mas a ocasião em que me encontro, a busca em que me jogo pelas palavras corretas, me faz afobar o corpo, e, sobretudo a cabeça.


Há algum tempo, como já disse, levantei-me da cama... Levantei-me como quem busca uma bacia para o vômito, como o doente que busca fugir ao leito de morte... Levantei cambaleando. Sentia minha cabeça latejando, como se os ossos fossem explodir e voar em pedaços... Levantei-me buscando por um copo, e logo o enchi com conhaque... Conhaque, o amigo mais íntimo que um homem pode ter, e, no entanto tão fora de moda. Por isso me chamam antiquado.
Bebi-o, lentamente, degustando cada gole, sentindo o cheiro hora doce, hora amargo. Bebi-o ainda dois copos, e então resolvi por despertar interino.
Levantei-me e vaguei pelas dependências de minha casa, lugar velho, com uma ou outra parede manchada por uma maldita infiltração, o piso de madeira, madeira velha, que... Incrivelmente, não rangia.
A casa encontrava-se em tal estado, parecia-me que houvera sido o cenário de uma tourada, ou antes, de um pandemônio.
Sentei-me para cear, o café quente queimando minha boca, no entanto não podia deixar de sorver o amargo líquido. Comi alguma coisa velha que se encontrava no armário... O gosto velho e farinhento descendo por minha garganta me causou ânsias.
Saí de casa e pus-me a vagar pelas ruas da vizinhança, hora com um cigarro na boca, hora com um livreto nas mãos. Seguia como que buscando por alguém que devesse estar lá, às vezes dava meia volta só para poder andar a escura rua mais uma vez.
Numa dessas meias voltas foi que me dei com uma mulher, muito maquiada, roupa demasiado coloria, e cabelo mau penteado, de um loiro desbotado. Suas feições encovadas, e sua tez refletiam o seu estado de saúde, o brilho opaco de seus orbes meio que gritavam pela morte... Encarei-a durante certo tempo, acenei-lhe com a cabeça, e esta me sorriu. Seus dentes grandes e um tanto amarelados, me chamaram a atenção pela perfeição com que se encaixavam em seu maxilar, nenhum a disputar espaço com o outro, e, no entanto, todos tão unidos.
A mulher virou-se e pôs a caminhar lenta e gingadamente, tornou a cabeça para traz e me lançou um olhar convidativo, um sorriso que pretendia ser provocante nos lábios, e então continuou a sua dança até que chegou a uma esquina.
Segui-a por entre a noite, e entrei em sua casa. Casa?! Antes um barraco. A fachada, outrora branca e sem máculas, hoje caía em pedaços, deixando à mostra os ossos de barro do barraco, onde um buraco ou outro se avistava tampado por dentro da casa com uma tábua.
Entrei na "casa", a mulher me guiou até sua cama e se deitou. Sentei ao pé da cama e pus-me a cantarolar uma modinha.
__Pois bem, o que queres?
__Pois bem, o que você quer, em vista que me convidou a entrar em sua casa?
__Quero dinheiro para poder comprar um vestido de morta.
__Pois de morta?
__Sim, e por que não? Não sabes que daqui a algum tempo virei a morrer, e você também, assim como o prefeito e sua querida esposa?
__Bem o sei, mas me espanta que alguém que ainda vive pensa nas miudezas que virão após a morte.
__Bom, por minha vez me assusta que alguém deixe de querer preparar tudo para a sua partida. Pois bem, pergunto-lhe de novo... O que queres?
__Em visto que queres dinheiro, bom, pois o dar-te-ei.
__Sem nada em troca?
__Espera...
__Pois espero.
__Dar-lhe-ei o dinheiro de que necessitas para partir ao melhor estilo da moda, mas em troca dar-me-á uma noite.
__Pois é claro... É isso que tenho dado a todos os que aqui adentram... Estudantes, vigários, magistrados, professores, vagabundos, beatas... Pois sim, beatas. E era o que me encontrava pronta a lhe dar. O que perguntei é: O que queres que eu faça? Tens algum desejo em especial?
__Em verdade não, não venho para ver-te ridicularizada, amarrada, ou interpretando algum personagem... Quero apenas uma noite. Uma noite comum.
__Pois bem, acabemos de conversas...Deita-te aqui. Encontra-te mui desconfortável nesta posição, sentado ao pé da cama.
Em verdade amamo-nos... Vide que não faço o uso romântico da palavra. Se queres saber se senti desejo por seu corpo tísico, ou pela sua carne dura e sua pele mole, pelo seu tato frio, e pelo seu cheiro de suor seco ao pescoço...Sim, o senti. Agora, se achas que desejei tal corpo pela eternidade, se desejei cobrir-lho de pérolas... Encontra-te horrivelmente enganado.
Senti por ela o mesmo que sentia pelo ópio, o qual me acabava a vida... Não me importava a qualidade, ou em folha do que era enrolado, e sim me importava saciar de todo, ainda que momentaneamente, eu sei, me importava saciar de todo o desejo, que encontrava contido entre minhas pernas há alguns dias.
Fui embora logo após, prometendo que viria a sua casa na manhã seguinte para que saíssemos em busca do vestido com que faria a terrível e aguardada viagem, dei-lhe meu endereço, caso me demorasse, e então parti.
Ao chegar a minha casa, não dormi, pudera, havia acordado há uma hora e meia, no máximo. Pus-me a re-ler um antigo volume que tinha de A Dama das Camélias... Quantas bobagens encontravam-se cerradas por entre aquelas poeirentas páginas, quantas mentiras sobre o amor, e sobre o desejo encontrei logo no primeiro quarto do livro.
Ao findar de uma hora de leitura, levantei-me enfadado, ainda faltavam-se algumas horas para o sol nascer, e resolvi-me por sair em busca de um companheiro qualquer, junto de quem pudesse tornar-me uma vez mais ébrio de forma prazerosa.
Encontrei um pub qualquer, um amigo qualquer, de uma longa data qualquer... Pusemo-nos de imediato a beber da aguardente que lá havia... Bebemos durante algumas horas, e pusemo-nos a contar nossos causos... No fim da noite, quando já me encontrava enfadado, levantei-me e me pus a caminho de casa, pois mais uma vez tornava ao maldito lar de minhas mazelas.
Cochilei durante algumas horas, e ao acordar via que o sol já batia às nove horas, troquei-me a roupa, e me dirigi à casa da prostituta, sem antes amaciar meu estomago com qualquer velharia poeirenta que encontrasse no fundo do armário da cozinha... Pois foi assim que me pus a caminho à casa da velha tísica.
Ao chegar ao alpendre, sujo e esburacado, bati à porta da seca mulher que noite passada me atendera de forma tão prestativa. Uma mulher, ainda mais velha abriu-me a porta, assustado, ja ia tornar à minha casa, receoso de que fosse aquela anciã com quem me deitara na véspera. Já tornava o corpo ao caminho inverso, quando a velha me chamou.
__Por favor, venha cá moço. Por acaso procuras por Isabel?
__Não sei o nome de quem procuro, só sei que exerce o ofício da noite.
__Pois bem, é Isabel quem procuras.
__E ela se encontra?
__Encontra-se. Entre, por favor.
A velha disse isso baixando os olhos, com a voz triste, e então abriu a porta.
Guiou-me até a cama, Isabel encontrava-se deitada.
__Pois se ainda dormes, me retiro, não vejo prazer em acordá-la, ainda que para presentear-lhe com algo que mo tenha pedido.
__Pois não vês que Isabel não dorme?
__Pois não dorme?
__Não... Coitada, em verdade está morta.
__Morta?
__Creio-me que morreu ainda esta noite, pois sua boca encontra-se um pouco úmida, assim como seu sexo. Sabes o que isso quer dizer? Pois morreu logo após uma noite de trabalho.
Sentei-me novamente ao pé da cama, como na noite passada, e pus a acariciar-lhe o tornozelo... Voltei o rosto para a velha, de pé logo a porta do quarto e perguntei-lhe.
__Podes me fazer um favor?
__Primeiro diga qual, e então poderei responder-te.
__Poderia tirar as medidas dela, dos ombros, quadris, a altura, o busto, pulsos, enfim... Tirar todas as suas medidas?
__Sim, não seria trabalho, mas para que queres isto?
__Bom, preciso pagar uma dívida à defunta.
__Pois bem que lho faço. O senhor já ceou?
__Ainda não, em casa não senti vontade alguma, mas agora meu estomago me aperta... Acho que irei a uma casa de lanches qualquer e comerei qualquer coisa...volto em dois quartos de hora.
__Pois esquece. A cozinha é logo ali, tenho café novo e algumas broas de milho... Senta-te lá e come.
Sentindo-me contrariado, dirigi-me à cozinha, onde enojado não toquei uma xícara sequer, e nem ao menos degustei do farelo da broa amarelada.
Logo a velha apareceu na cozinha, e me entregou as medidas. Despedi-me dela, e fui ao alfaiate que mais me agradava na cidade.
Dei-lhe as medidas, e escolhi as cores e os tecidos, ditei-lhe o modelo, e o volume que desejava, em verdade inspirei-me nos modelos em alta na corte de Napoleón. Recomendei-lhe também muita pressa, o vestido precisava encontrar-se pronto ao fim da tarde.
Ao fim da tarde busquei-o, estava mui belo, dirigi-me para uma funerária, onde comprei um caixão velho e antiquado, não por isso menos belo. Findadas as compras, corri para a casa da defunta.
Vesti-a, antes tomando o cuidado de passar um pano úmido sobre sua pele para que não sujasse o veludo fino. Penteei seus cabelos, muitos dos quais se partiram na velha escova, e passei-lhe nos lábios uma borra de vinho barato, o mesmo que lhe passei nas maçãs do rosto.
Chamei um carro de aluguel qualquer, e tomei o cadáver à minha casa. Durante o trajeto, pude sentir uma vez mais o cheiro de seus cabelos e de seu pescoço, ambos já tão opacos pelo efeito do tempo. Acariciei-lhe os braços, os seios, as pernas magras... Tomei-a uma vez mais naquele mesmo lugar, sobre o sacolejar das rodas, amei-a uma vez mais... O gozo me surpreendera, fora tão menos prazeroso que o que tivera na véspera, mas tão mais lancinante...Inquietei-me.
Ao chegarmos a minha casa, depositei o corpo sobre minha cama, e lá o deixei... Quando já me encontrava cansado, deitei abraçado à imensa boneca, onde adormeci em sono profundo.
Acordei ao findar do dia, e vendo que as moscas já lhe pousavam na testa, resolvi que já era tempo de sepultá-la. Tomei o corpo ao caixão, tomando antes o cuidado de forrá-lo com lençóis de cetim, pois não tinha as flores mortuárias com que geralmente decoram-se caixões. Pus-me à cavar em meu jardim, o qual se encontrava aos fundos de minha velha casa, e quando a noite já se ia alta, tomei a cova como pronta, embora estivesse um tanto tosca...Que fazer?! Não encontraria mais forças para cavar e dar os últimos retoques de artista ao buraco mortuário.
Empurrei o caixão, com o máximo cuidado que pude, sobre a cova, e ao findar de alguns minutos de esforço, encontrava-o totalmente coberto. Sentindo o receio do esquecimento futuro, tomei uma muda de dama-da-noite que caía do muro vizinho e plantei-a sobre a cova... Pois bem, Isabel encontrava-se agora honrada, sepultada sobre o estandarte de seu ofício... Isabel, a mulher que sempre sentirei saudades.

Pois bem... Adverti-lhos de que não era excepcional o que me ocorrera, mas devo admitir que me baqueou duramente...Durante algumas semanas não pude mais sair de casa, me limitava a circular o jardim macabro...Meus esforços, em limitei apenas a tratar da planta-estandarte que encontrava-se cada vez mais forte, cada vez mais perfumosa...Pois bem, tendes, agora, minha história completamente lida.

-----ISSO QUE DA LER ALVARES DE AZEVEDO.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O Relógio.

Enquanto, sentado na escada, esperava Natascha chegar, olhava incessantemente para o relógio anti magnético, vinte e dois rubis, ganhado de seu avô... Durante longos minutos permaneceu meio como preso pelo relógio, seus olhos se vagavam pelas filigranas que envolviam os números, em esmalte preto. Sentia-se como que preso aos ponteiros, que horas viajavam tão rápidos como um coelho branco, e horas tão lerdos como uma lagarta fumante... Perdia-se cada vez mais, até que um barulho fê-lo acordar... Olhou para cima e viu apenas um velho senhor passando em frente ao saguão do prédio.
Roberto olhou novamente para o relógio e pensou “ele é a prova d'água, vinte e dois rubis". Permaneceu sentado por mais quinze voltas do ponteiro grande, durante um quarto de volta do pequeno ponteiro. Durante novecentas voltas do ponteiro fino... Quando se levantou, subiu novamente ao apartamento de Natascha, e na porta pregou um bilhete.
" Esperei durante certo tempo, e ainda assim não te encontrei...Pensei que este relógio viveria para dizer a hora de você chegar, mas aparentemente não vai ser assim. Roberto."
E foi assim, cabisbaixo que Roberto desceu as escadas e entrou no primeiro antiquário que encontrou, examinou algumas velhas prateleiras, alguns telefones bonitos, uma TV que servia de vaso para plantas. Chegou-se ao balcão e tirando o relógio do pulso, perguntou ao dono da loja:
__Quanto o senhor me dá por esse relógio?
O velho homem pegou o relógio, e examinando-o disse:
__Não compro, está quebrado.
Roberto pegou a velha peça da mão do velho homem com o velho cuidado, e viu que se passaram vinte minutos depois de ter saído do prédio onde Natascha morava até o relógio quebrar.
__Engraçado, estava funcionando até agora. Que horas são agora?
__Já se passou dez minutos então dês de que ele quebrou.
Roberto virou-se então tristonho, e falou consigo mesmo:
"Você quebrou sete minutos depois que saí de lá. Você realmente não viverá pra me dizer a hora d'ela chegar."
Foi andando, assim, levemente, caminhando pelas ruas, distraindo-se com as pequenas coisas que via, mas de forma alguma conseguiu fugir da dor que sentia por ter seu relógio agora quebrado.
Resolveu-se por parar um uma padaria qualquer e tomar um café qualquer, sentou-se durante certo tempo e lá ficou, assistindo ao programa entediante que passava na TV, por um instante parou sua vista no grande relógio automático. Ficou como que perdido, como se a maré do tempo o sugasse, como se sentisse já com os ossos de vidro. Quando deu por sí, finalmente leu as horas.
__Já faz quinze minutos que deixei aquele antiquário.
Num pequeno surto, resolveu-se por voltar ao prédio de Natascha. Caminhou rapidamente, fazendo todo o trajeto de volta, passando novamente pelo velho antiquário, pelo pequeno hidrante que havia na esquina, pela fachada nouveau,e então entrou no prédio. Subiu as escadas, e quando chegou a porta de Natascha, seu bilhete não estava mais lá. Deu algumas batidas na porta, que rapidamente foi aberta por uma moça magra e baixa, de cabelos ruivos e rosto pálido, Natascha.
__Oi Roberto, entra.
__Oi, atrapalho?
__Não, de forma alguma, entra aqui.
Roberto entrou e fechou a porta atrás de si, e então foi caminhando até a cozinha, onde Natascha cozinhava alguma coisa. Olhou no grande relógio de plástico que havia na cozinha.
“Já se passou meia hora de que saí daqui e vinte e três minutos que deixei o antiquário.”
__Hum, passei aqui mais cedo, mas você não estava.
__É, eu vi o bilhete na porta.
__A que horas você chegou?
__Fazem cinquenta minutos.
Roberto, então, tirou do bolso o velho relógio, e fez as contas.

um dos próximso posts

estou elaborando bem, mas ainda nao ta pronto. beijos.
me preparando para poder aturar bem o PRIMEIRO dia de aula.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Post da madrugada.

Deletei o post original, prefiro assim, em quase branco completo.
BOA NOITE.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Pisé.

Bom...hoje tem post duplo...tem um texto que não pode mais esperar, e eu estou ávido para escrever, por tanto, postarei duas coisas.
Acabo de assistir um filme que gostei, antes da chuva...Iris me emprestou, junto ocm fale com ela(não sei ainda oque achei do filme) e a insustentável leveza do ser (ainda nao assisti)...
Hoje, foi um dia comum e chatim...fui na construção para fumar, e enquanto estava la, choveu muito forte, e não parava, me sentei na escada e com o celular iluminei as paginas de Incidente em Antares(empréstimo de iris também), quando parou de chover fui embora...
Não sei o que estou tentando escrever aqui...Bom, jogo a toalha.

Tomorrow never happens, man.
It's all the same fucking day, man.


PAY PER VIEW
__Bruno...A verdade é essa, quero te socar porque vocÊ é um ator...no sentido restrito da palavra...Não imagino que vocÊ em especial tenha sentimentos...Aliás, imagino, mas vocÊ não externa, você guarda pra você, porque aparentemente vocÊ se acostumou com essa tua imagem engraçada e divertida, sendo que na verdade vocÊ não consegue mais ficar triste para as outras pessouas, se vocÊ as encontra, vocÊ tem de sorrir, não importa se elas querem que vocÊ as sorriam ou não.
__É por causa da droga?
__Não, já falei que não, isso tudo não tem nada a ver com a droga, eu me dispus à ir lá, mas aparentemente você só veio aqui por causa da droga, e logo depois que vocÊ pegou naquele jogo enorme inventado, você já estava pensando em ir embora...Não sei, talvez sejão criações, mas o negócio é...Todos nós temos um vínculo com vocÊ, e queriamos que fosse recíproco, mas aparentemente, não há reciprociadade, não que você não goste da gente, pelo contrário, agente está aí, vamos nos divertir, poisé, é a turma toda, ta aí pra curtir...Mas não é só isso que esperamos, queriamos ver vocÊ por exemplo, triste. Não que queiramos magoar vosse coração, mas o negócio é que tipo...Não sei...E você também meio que nem foi atrás de ninguém para sairmos nunca, sabe? Todo mundo esperando pra se reunir de novo, semrpe e sempre, igual semestre de antes, mas aparentemente a banda ta tocando de um jeito meio diferente, não?
__Eu acho que é piração sua, Certo?
__Talvez, mas e aí...
__VocÊ quer me dar um soco? Não...se quiser dar pode dar, só quero falar que aquilo tudo que vocÊ falou lá na roda, foi ofensivo, e acabou com o clima de tudo, eu quis ir embora...se quiser me dar um soco, sério, pode dar.
__Não quero, não suporto reação física em mim, mas o negócio é...Eu precisava buscar uam reação diferente do riso, mas no fim foi mais facil te incomodar e te deixar sério.
__VocÊ quer?
__Oque?
__Me dar um soco?
__Não.
__Mischa, só quero saber...Agente pode voltar lá e ficar de boa o resto da noite?
__Claro. Talvéz seja mesmo só piração da minha parte, exclusivamente falando...Não sei.

Talvéz essas fossem as palavras que deveriam ser ditas naquela noite. Deichei a raiva e a reação hostil fluírem de mim, e não gosto disso. O que se faz da minha parte, nada mais, porque seria extremamente pedante...Pois bebado, já esgotei as vezes em que poderia chama-lo do lado para uma conversa séria...As cagadas me são inevitáveis, mas é o único momento, bêbado, em que tenho coragem para tomar decisões e confrontar, acho puramente rídiculo isso, mas é a minha forma de me fazer reagir...creio.
Talvéz devesse votar para a igreja, voltar a dormir cedo, e comer regularmente...Talvez devesse parar de fazer um porre de coisas, só para não ter de reagir a nada, voltar catatônico, ne novo...Talvez devesse...
Creio...creio, que talvéz eu devesse ter agido dessa forma, não sei, realmente...mas era algo que me incomodava, porque sinto falta do semestre passado, quando estavamos todos juntos e realmente se divertindo, era um estado realmente além dos outros...afinal, estavamos no nosso programa, sem mais nada...nas nossas experiencias...creio-me agora um exigente....semrpe o fui, creio-me agora...um insatisfeito, pois esgotei o que podia, e agora corro atráz de mais...Talvéz a solução esteja em uma brasa cheirosa, queimando friamente, queimando alheiamente e orgulhosamente no canto de um pequeno tubo branco...Talvez esteja em cápsulas aleatórias, recolhidas em armários aleatórias, tomadas com líquidos aleatórios...Pois bem, volto-me a exagerar, mas não é por causa deste caso em sí, e sim de um panorama muito grnde, visto exclusivamente por mim em pay-per-view...Acho que o pay-per-view deixa as emoções tão mais intensas, pelo menos pra mim.
Crio-me agora.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Selma deitou-se e fechou os olhos, aos poucos foi esvaziando sua mente e contando sua respiração, permaneceu por minutos assim, até que levantou irritada e saiu da cama. Vestiu seu jeans e camiseta abituais, pegou as chaves do carro e saiu.
Andou por algumas quadras, virou em algumas esquinas, e foi andando assim, aleatóriamente pelas ruas da cidade, com o pensamento vagueando. "Não posso deichar tudo assim desse jeito, tenho que concertar".
Resolveu por ir então a casa onde estava seu marido, virou a direita, e depois a esquerda, foi assim, andando dessa forma, na tentativa de reconhecer as ruas pelas quais andava.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

tava quase postando algo legal, mas me sumiu...não sei...
Hoje estou na casa da vó, por mais alguns dias, sózinho totalmente,=-D, não tão assim, ja que as vezes chega alguém...Estou intediado e com sono, engraçado porque acabei de acordar...Nesses dias que estive aqui voltei a jogar MU, que bosta...mas é divertidinho até...Hun....pronto..

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

__Deixa ele lá...é só um vira-lata.
__Tem razão...é só um vira-lata.-Conclui-se Sérgio.
Os dois, Sérgio e Anita, levantaram-se do banco e começaram a caminhar.
__O que vocÊ tem Sérgio?
__Nada...Só estou cansado.
__Quer ir pra casa?
__Não na verdade.
__Então é o que?
__Cansado de tudo.